sexta-feira, abril 12, 2013

A História resumida do Acordo Ortográfico (contado de memória)


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 Nos finais dos anos 80, um arrogante enciclopedista brasileiro chamado António Houaiss, teve uma brilhante ideia: unificar a grafia da Língua Portuguesa. Porquê? Porque as enciclopédias de duvidosa qualidade (por isso os brasileiros lhe puseram a alcunha de “vendedor de enciclopédias mil”) e que ele dirigia eram recusadas em todo o lado por serem “brasileiras”. Convenceu então um dirigente da Academia de Ciências (Malaca Casteleiro) que tinha ficado encarregue pelo Estado de elaborar um dicionário de Língua Portuguesa, o qual, ao fim de 10 anos ainda não tinha passado da letra “A”. Após umas viagens de “trabalho” ao Brasil, Casteleiro tentou convencer linguistas portugueses a abraçar o projecto. Como é lógico, só uns quantos menores ansiosos por porem a pata na História, aceitaram a ideia. A trupe ainda conseguiu arranjar apoios importantes: as editoras. Descobrindo elas que tudo o que havia sido editado “para trás” teria de ser objecto de “harmonização e reedição” isso significaria mais e mais vendas. Atalhando… em 1990 foi lançado o famoso AO, cujo preâmbulo escrito em Português macarrónico e com erros de Gramática (não estou a inventar), foi alvo de uma oposição da opinião pública surpreendendo os “ilustres”. Como se não bastasse, o Acordo foi assinado apenas por Portugal e Brasil porque os PALOP “não tinham condições na altura” (?!). Em reacção, grandes linguistas, professores e anónimos encheram as páginas da Imprensa com mil e uma razões para serem contra tal atentado à Língua. Por outro lado, a maioria dos escritores, como dependem das suas editoras, respondiam evasivamente à questão. Fizeram-se mil e uma tentativas para institucionalizar (o termo aqui não é inocente) a ideia e até foram buscar um professor (Aguiar e Silva) o qual, num dia era a favor – no outro era contra, até sair de mansinho.
 Depois de muitos avanços e recuos e muito dinheiro dos contribuintes gasto em viagens e outras rubricas, o Brasil rejeita o Acordo e temos um país (Portugal) único no mundo que não sabe hoje qual é sua grafia. O desespero dos “ilustres” é tal que um sensaborão chamado Agualusa vem afirmar “não compreender a reacção [contra] das pessoas porque é um assunto que não as afecta”. Sim, claro… se quiserem transformar a Sé de Braga num centro comercial, isso não me tira o bife do prato, mas afectaria muita coisa que não está ao alcance de gente “ilustre”.
 Teixeira Moita

domingo, março 24, 2013

Inglaterra envia avião para Chipre com 1.000.000 €

Segundo as notícias, Inglaterra está a pensar enviar para Chipre um avião com 1 milhão de euros, para pagar aos seus militares impedidos de levantar dinheiro das caixas multibanco. (Veja em: http://tiny.cc/8lx8tw)

E se fosse em Portugal?
Pedia-se emprestado 2 milhões de euros.
A escolha do avião era impugnada pelo facto da companhia aérea pertencer à ex-mulher do ministro e Beja insiste em que o avião tem de largar a partir do seu aeroporto.
Passados 15 dias o avião levanta e, ao chegar a Chipre, faltam 200.000 euros.
O escândalo é enorme mas o Correio da Manhã revela que um piloto viajou com um galhardete do Sporting no retrovisor do avião.
Duas testemunhas e 1 cão afirmam ter visto o ex-presidente do Sporting dentro do avião e suspeita-se que o dinheiro tenha sido para a compra de jogadores.
Uma petição na internet exige uma investigação a possíveis maus-tratos ao cão durante o interrogatório. A petição tem já 400.000 assinaturas.
Pinto da Costa vem em defesa de Godinho Lopes, afirmando que os jogadores que o Sporting queria comprar foram para F. C. Porto e já tinham sido vendidos.
A imprensa fala no “Galhardetogate”.
Entretanto o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil marca uma greve de 365 dias em solidariedade para com os pilotos.
Medina Carreira mostra um gráfico na TV mostrando que a velocidade do avião diminui, não só em relação aos últimos 150 anos, mas também quando passou por cima de Sobral de Monte Agraço o que pode significar que o dinheiro para os jogadores pode ter sido atirado pela janela para cima daquela vila.
O presidente da Junta de Freguesia de Sobral de Monte Agraço recusa responsabilidades pelo facto de o Governo ter extinguido a sua Junta de Freguesia.
Na TV, o Prof. Marcelo explica que o caso do galhardete e do desaparecimento do dinheiro se devem a “erros de comunicação”.
Vítor Gaspar vai à Assembleia da República explicar aos deputados durante 3 horas o que é um galhardete.
O DCIAP abre um inquérito para apurar quem quebrou o segredo de Justiça e denunciou o desaparecimento do dinheiro.
Passos Coelho afirma que o “Galhardetogate” é uma herança do governo de Sócrates.
O aeroporto de Beja ganha nos tribunais e o avião é obrigado a partir novamente daquele aeroporto.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

quarta-feira, janeiro 02, 2013



Soundwork for electronics, 2 voices, 6 earbees and piano.
Live recording and composition by: Teixeira Moita
Additional voice: Cristina Deleu
Acknowledgements: Fundação Manuel António da Mota, Sara Roberts - California Institute of the Arts - Los Angeles.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

TEIXEIRA MOITA E RUI MANUEL AMARAL LÊEM TEXTOS DE RAMÓN GÓMEZ DE LA SERRA
Sábado, 8 de Dezembro, 17:00h 
Livraria Gato Vadio - 281   Porto

quinta-feira, agosto 23, 2012

100 anos do nascimento do genial dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues.

100 anos do nascimento do genial dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues. Autor da peça "Toda a Nudez Será Castigada" (termo que já é de uso corrente.)
O Jornal Público traz hoje um artigo lamentável e ignorante de um jurista (Pedro Lomba)... enfim, vivemos na geração Wikipédia :(

http://www.passeiweb.com/saiba_mais/biografias/n/nelson_rodrigues

quinta-feira, julho 05, 2012

VELHAS OPORTUNIDADES


VELHAS OPORTUNIDADES
Fui um dos subscritores do “Manifesto para uma Esquerda livre”, cujos promotores foram – entre outros – Rui Tavares (Eurodeputado) e Daniel Oliveira (Dirigente do BE). Não vou alongar-me naquilo que me fez subscrever o Manifesto, mas acreditei na ideia de uma Esquerda diferente e livre. Puro engano.
                Como seria de esperar, a esquerda jurássica reagiu, lançando um Congresso das Alternativas. E o que fazem Rui Tavares e Daniel Oliveira? Logo correm atrás da sereia gorda que mais os encanta. Ou seja: ostentam agora orgulhosamente nas suas crónicas jornalísticas o seu apoio babado ao Congresso das Alternativas.
                Mas o Manifesto não era suposto ter nascido para combater essa mesma esquerda que não é “livre”? Essa Esquerda dos Vasco Lourenço, o qual após décadas de coma induzido acorda agora descobrindo que este governo é que é mau? E os outros governos, o que eram? A esquerda dos Mário Nogueira da Fenprof que, qual Neville Chamberlain assina “memorandos de entendimento” com um Ministério praticamente derrotado? A esquerda dos Louçã que apoiou candidatos presidenciais frívolos e posa para as câmaras da SIC num anúncio de publicidade? A Esquerda que serviu de rampa de lançamento da aspirante a pin-up Joana Amaral Dias? A Esquerda dos sindicatos que continuam a marcar greves à Sexta e em véspera de feriado?
                Não. Não será essa Esquerda que os portugueses precisam. E se os promotores do Manifesto entendem que é na esquerda jurássica que estão as “velhas oportunidades” que lhes interessam… pois “que se van!”, como dizem em Espanha. Não contem comigo.
Obrigado

terça-feira, junho 05, 2012

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Por: Teixeira Moita
Escritor
Num tempo em que a Política naufragou na sôfrega e avara Economia e onde a Constituição da República tem tanto valor como um livro da Margarida Rebelo Pinto, com a única diferença que a Constituição não tem erros de Português, é a altura certa para a pequena, média e grande Esquerda reflectir e agir perante estes tempos.
Pensar novas formas de activismo, desenvolver um progressivo associativismo e, por essa via, tentar subverter as inevitabilidades dos sistemas económicos, sociais e políticos instalados, qual entrançado de interesses, de poder, dinheiro e glória que nos devoram um futuro bondoso, deverá ser a vocação deste Manifesto/Movimento.
Com a cavalgada dos financeiros que nos ajudam a pagar a dívida desde que ela aumente – numa perspectiva e estratégia de traficantes de dinheiro – à Esquerda não sobra espaço para paranóias controleiras e campeonatos de construções na areia. As pessoas sofrem, o mundo escurece e todo o Bem parece envergonhado atrás da fome.
Exactamente por isso devemos sugerir, orientar e complementar a Esquerda política, pois foi por aí que se começou. Mas vai-nos ser pedido para irmos mais além, para termos a coragem de nos assumirmos como uma consciência, pois temos a liberdade e independência para isso, haja inteligência e lucidez, caso contrário correremos o risco do descrédito e da vergonha e aquilo que agora nasce, transformar-se-á numa passerelle de “individualidades”.
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domingo, fevereiro 19, 2012

POESIA - de Russell Edson



POESIA
In “The Tormented Mirror” de Russell Edson 
 (tradução de Teixeira Moita)


Vais ouvi-la, a musa; ela bate três vezes. Depois não bate mais…
A senha é absurdo.
Então começa o segredo que esconde a mensagem final.
Sentar-te-ás no escuro à espera das três pancadas. Não te deixes enganar pelos três porquinhos, ou pelo velho que manca com uma bengala. Aquele que mata a Esfinge no fim do jogo.

O desfecho é absurdo, sem o qual a estrada da mensagem final se incha de significado, e a indefinição de tudo está em todo o lado.
                                                                                                                                              

POESIA (por Russell Edson  )
- Versão com o novo “Acordo Ortográfico” – (Paródia. Não faz jurisprudência)
Vem um cara, a musa – né?, ela dá três batida. Depois num bate mais.
O signo é asurdo. Então começa o segredo que esconde a mensagem final.
Çê se senta na moita esperando as três batida. Não se deixe levar pelos três porkinhos, ou pelo velho que manqeja com uma vara. Aquele que quebra a Esfinge no fim da Copa.

O desfecho é asurdo, sem o qual a estrada da mensagem final se incha de significado, e a indefinição do Acordo Ortográfico de tudo está em todo o lado.


sexta-feira, fevereiro 10, 2012

A METAFÍSICA DAS COISAS GRANDES - Texto de Humor publicado na revista Fardo de Palha


Olá! O meu nome é Mário Brilhante e estou aqui para partilhar com os leitores a minha paixão pelas coisas grandes. Este gosto vem desde pequenino quando o meu padrasto me esmagava a cara com a sua bota cardada e eu admirava o tamanho enorme daquela bota. Desde então sempre existiu em mim um certo gosto pelas coisas grandes, enormes, portentosas... tornei-me megalómano (esta foi a conclusão a que chegou o Sr. Doutor nas nossas consultas de Psiquiatria. O Sr. Doutor ainda não arranjou explicação foi para o facto de eu, às Sextas-feiras gostar de me vestir de mulher e de frequentar, assim vestido, a Avenida até às quatro/cinco da manhã). Há uns tempos a vida começou a correr-me mal. Eu conto: na minha busca incessante das coisas de um tamanho digno descobri que o Sr. Martin Gilbert havia escrito uma biografia do Sir Winston Churchill com 16.745 páginas! O grande entusiasmo pelas coisas grandes invadiu-me e comecei a escrever o meu próprio diário. Fui calculista, claro: ao ritmo de uma página por dia e durante pelo menos 50 anos, produziria mais de 18.000 páginas! Desculpe, Sr. Gilbert mas o mundo não é para quem pensa pequeno...
Mas tudo correu bem?... Não! Ao fim de 2 meses a minha casa foi assaltada por uns patifes e mais tarde o diário foi acabar nas mãos da polícia. Ora, a polícia é extremamente conservadora. Direi mesmo que a polícia é mais conservadora do que a própria Igreja Católica. Por isso (e por aquilo que estava escrito no meu diário), acabei algemado num tribunal. O juiz, os advogados e alguns populares estavam todos contra mim. O próprio juiz, após sentença exemplar, fez questão de abandonar a sala, não sem antes me ter cuspido ostensivamente na cara.
A vida na prisão não era para quem lá não estava. Para começar, e como o leitor compreenderá, na prisão, tive de deixar de me vestir de mulher às Sextas-feiras. Um dia estava eu a escrever nas paredes da minha cela a palavra AMOR, quando o chefe dos guardas achou que a letra “O” da palavra AMOR era, nada mais, nada menos, do que a marcação do sítio onde principiaria a escavação de um túnel para a nossa fuga e ficou bastante aborrecido comigo. Um dos guardas foi de propósito buscar ao seu Mercedes SLK Kompressor descapotável uma barra de ferro com a qual me agrediu repetidamente até a barra ficar em “L”. Quando vi o formato da barra em “L”, pensei que o castigo tinha acabado mas... o tipo cismou em endireitar a barra no meu lombo!
Na prisão o tempo passa depressa e a Esperança espreita em qualquer esquina (ou seja: também a Esperança está na prisão). Surgiu a hipótese de eu tirar, aqui atrás das grades, um curso de Direito. Ah, que excitação! Um dia eu ser advogado e exercer uma profissão tão nobre que consiste em defender os criminosos e espoliar os inocentes... que entusiasmo! No entanto, apesar do discurso oficial da Reinserção dos Evadidos (desculpem, isso é outra coisa... Reinserção dos Evadidos é pegar neles e enfiá-los outra vez na cadeia); dizia eu: apesar dos discursos oficiais, o Ministério da Educação não homologou o nosso curso de Direito. Porquê?! Pelo facto do responsável professor ser um tal ex-dirigente do Benfica e pelo facto de esse dirigente (passo a citar o Ministério) “ter dificuldades na explicação de certas concepções próprias do Direito”. Fiquei de rastos. E assim me mantive durante toda a pena.
Bem... hoje sou um cidadão livre cuja maior ambição é ser toxicodependente. Sim, caros leitores, ser toxicodependente é um must. Veja-se: todos têm pena de nós e alguns até nos querem ajudar (já viu alguém ajudar uma pessoa normal?!), não há horários rígidos, toda a gente depois de estacionar o carro preocupa-se em nos dar umas moedas, ganhamos dezenas de contos por dia (a bem ou a mal), mesmo que a mulher nos chateie a cabeça nós não ouvimos. Ser toxicodependente tem muitas vantagens, mas a maior das vantagens é o facto de, em tribunal, todos nos desculparem os nossos crimes. A mim, nunca mais nenhum juiz me cuspirá na cara.
Entretanto não paro. De entre as coisas grandes que eu adoro (salvo seja), está a maior palavra do mundo que acabei de descobrir:
Nordöstersjökustartilleriflygspaningssimulatoranliiggningsmaterielunderhallsuppföljningssystemdiskussionsinlaggsförbefedelsearbeten. É sueco e significa (tradução livre):
“ Trabalho Preparatório para Contribuição do Debate Acerca da Manutenção de Um Sistema de Suporte do Dispositivo do Simulador de Voo Integrante do Sistema De Artilharia Montado na Costa Noroeste do Mar Báltico”.
Os militares têm tudo em grande...
                                                                                  © Teixeira Moita

sexta-feira, novembro 11, 2011

PARA AQUELA EM ESPECIAL


PARA AQUELA EM ESPECIAL
Quando o desejo me sobreleva, corro os fechos e dispo-te a capa. Logo sinto o teu perfume de madeiras e contemplo as tuas curvas com uma avidez desrespeitadora. Encosto o teu corpo à minha pélvis e percorro o teu braço com a polpa dos dedos.
Adoro a forma como gritas e uivas quando introduzo o meu “Jack”, suavemente mas com determinação. Já louco, mexo nos “botõezinhos” provocantes que ostentas e tu gritas ainda mais alto em resposta.
Fazes-me dançar e, contigo, todos os ritmos são ritmos do prazer.
Ao fim de algum tempo, suado mas satisfeito, sei que somos só um.
És minha há seis anos. Sempre minha e só minha, pura e casta. Para que os deuses não se tentem, murmuro baixinho o teu nome completo: “Fender Stratocaster”… a minha guitarra!
© Teixeira Moita

sábado, setembro 24, 2011

http://www.wook.pt/ficha/dias-permitidos/a/id/11352902


Dias Permitidos
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Dias Permitidos
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 104
Editor: Mosaico de Palavras
ISBN: 9789898253644
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13,00€
11,70€
Normalmente segue para o correio em 10 dias 
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Sinopse
Dias Permitidos é uma colectânea de 13 contos onde o autor, alternando entre uma fina ironia e cru sarcasmo e uma indelével cumplicidade com o ser humano, mau grado todas as suas imperfeições, encaminha o leitor para visões alternativas que sempre podem irromper tanto nas mais insólitas como nas mais prosaicas tramas narrativas.
Dias Permitidos de Teixeira Moita
http://www.wook.pt/ficha/dias-permitidos/a/id/11352902

sexta-feira, maio 20, 2011

"Dias Permitidos" Apresentação de livro

Apresentação do livro de prosas "Dias Permitidos", de Teixeira Moita.
Dia 28 de Maio de 2011 (Sábado), pelas 17,30 horas.
Local: Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses - Porto (ao lado da Câmara Municipal)
Apresentação do escritor Pedro Chagas Freitas 
Mais Info...

terça-feira, janeiro 25, 2011

Acto Único 1

ACTO ÚNICO 1
PLÁ – Qual é o contrário de “grito”?
PLI – Ghhzzzghhaaaa…
PLÁ – O contrário de “grito” é um ataque de asma?...
PLI –Não percebeste? É um grito em inspiração em vez de expiração.
PLÁ – Pois. Isso não me ajuda. Eu queria pintar um quadro que fosse exactamente o contrário de “O Grito” de Munch.
PLI – É fácil. Pintas uma figura a gritar, mas de costas.
                                                                                           © Teixeira Moita


quarta-feira, outubro 13, 2010

ÀQUELES QUE DORMEM O MEU SONO


ÀQUELES QUE DORMEM O MEU SONO.
Já em criança, enquanto os outros trepavam às árvores, eu trepava muros. Ainda hoje trepo muros, como um Sísifo patético que rompe os joelhos na escalada enquanto os outros rompem os joelhos pelo chão.
Quase cansado de muros, queria dormir. Mas fantasmas dormem o meu sono, atormentando-me apenas por se fazerem esperar na vigília. Durante a noite acendo e apago a luz como se fosse um semáforo intermitente da solidão. Tenho noites que são dias e dias que são noites e a aurora não sei se é uma coisa que chega ou que parte. Em poemas grito pelos meus fantasmas. Mas, ao contrário de todos os outros Poetas que são génios incompreendidos… eu sou apenas incompreendido, por isso, talvez, não me ouçam.
A Morte será uma mentira porque nunca ninguém compareceu e provou demonstrado que ela não é a Verdade absoluta contrária à Vida.
Na continuidade da Morte falam-me de Deus como se Ele fosse uma balança e do Espírito como se fosse um autocarro que traz e leva os fantasmas numa qualquer carreira nocturna. Eu não vejo nada: nem balanças, nem autocarros, nem almas que eu pudesse tocar com a ponta de um dedo e dizer que são tão postiças como a Vida… não vejo nada e está escuro como uma dor que obriga a fechar os olhos.
Aos meus fantasmas: Tiago Nicolau, Jorge Ferreira, Manuel Augusto Pinho, João Guilherme, Gustavo Brandão, João Matos, André Lima, Mónica Teixeira (amigos) – Armando (pai), Júlia (mãe), José Manuel (irmão), Ana Cristina (mulher) e o meu Mestre: Jaime Salazar Sampaio.
Teixeira Moita 13-10-2010

quarta-feira, junho 16, 2010

Finalmente um inquérito na Pública que não é insosso!

Como na Pública só respondem aos inquéritos os amiguinhos deles, decidi - eu próprio -"apimentar" aquilo e responder às questões. O que acham do resultado?

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INQUÉRITO

Teixeira Moita - 50 anos, Dramaturgo e Omniplasta

P: Com que idade percebeu que falhou na vida?
R: Eu não falhei: atingi de raspão.
P: Qual a diferença entre um alfacinha e um tripeiro?
R:Na A1 um parte de cima para baixo, o outro no sentido inverso.
P: Qual a qualidade que mais irrita nos seus amigos?
R: Conseguir viver animadamente com tão poucos rendimentos.
P: Qual o defeito que mais os enternece?
R: Pedir emprestado?!
P: Trata de forma diferente as pessoas feias e bonitas?
R: As pessoas bonitas tratam-me de forma diferente das outras.
P: Tem números que memorizou no telemóvel só para não atender?
R: Meu deus! Não sabem o trabalhão que dá memorizar números no telemóvel?!
P: Que jornal ou revista usaria para matar um insecto?
R: Qualquer destacável serve. O “Expresso” é bom para encobrir o crime.
P: Se fosse jantar com o Woddy Allen, onde o levaria?
R: A um sítio que eu cá sei mas não digo por causa dos paparazzi. 
P: O que almoçou hoje?
R: As sobras de ontem (espero que ainda sobre para amanhã)
P: E o que deveria ter pedido?
R: Eu é o que me põem na mesa…
P: Qual o segundo momento mais marcante da sua vida?
R: Responder a este inquérito.
P: Qual o luxo pré-crise de que tem saudades?
R: Comer uma bola de Berlim com creme, numa praia do Algarve.
P: Já teve problemas com um vizinho?
R: Sim. Quando ele chegou a casa sem avisar.
P: Quantas vezes já fez amor a uma terça-feira?
R: Várias vezes até o vizinho estragar tudo.
P: Já fingiu que não viu um amigo de há 20 anos?
R: Vinte anos sem o ver… já não deve ser amigo.
P: Qual é música mais foleira que canta no duche?
R: “Vocalise, pour l'Ange qui announce la fin du Temps” de O. Messiaen. 
P: Quando foi a última vez que teve medo de um médico?
R: A última vez em que fui.
P: Alguma vez bateu em alguém com razão?
R: Tecnicamente sim. Mas ainda não transitou em julgado.
P: Quando quer impressionar, que escritor cita?
R: Margarida Rebelo Pinto.
P: O que realmente pensa dos homens que choram?
R: Penso que lá terão as suas razões.
P: Se pudesse prescindir de um só partido político, de qual prescindia? 
R: É indiferente. Os partidos são como os rabos das lagartixas – depois de cortados, voltam a crescer iguaizinhos.
P: Onde é que estava quando Sampaio despediu Santana?
R: Em casa, a chorar de alegria como um homem.
P: Este é um dos três melhores inquéritos a que respondeu na vida?
R: OS inquéritos são como as sondagens: valem o que valem.
Teixeira Moita